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  • umsaltoamais

Mãe, como foi seu puerpério?


"A sombra geralmente é maior que o objeto em si." entenda:


Se refletirmos alguma forma de luz sobre qualquer objeto que estiver em posição levemente inclinada, a sombra sempre será maior do que o próprio objeto.


Assim foi o puerpério com a Ana Liz.

Ela era uma bebê calma, forte e resiliente. Já nós, os adultos ao redor dela, talvez não tenhamos sido merecedores dos mesmos adjetivos.



(aquarela de Janaína Ruthes)


Tudo começou com:


A data provável do parto era 18/08 e a cesárea foi feita no dia 01/08. Ela nasceu com 37 semanas e 4 dias de gestação, igual ao irmão Samuel, porém, diferente dele, sem sinais de que estava pronta para conhecer o mundo aqui fora. Este post não é sobre o parto em si, podemos falar disso em outro momento. Mas eu acredito que foi a partir do parto precoce dela, que muitas sombras surgiram.


Ela nasceu PIG (pequena para idade gestacional) com 2.480kg. Por isso, foi necessário monitorar a glicemia com picadinhas de agulha nos pés a cada 2 horas. A glicemia dela alterou feio em determinado momento e deram a ela leite de fórmula (que eu só aceitei porque o Gio me disse que era leite humano).


Apesar do meu corpo produzir o colostro, a pega dela ter sido perfeita desde o primeiro segundo de contato com o meu peito, meu corpo ainda não estava pronto para aquele parto e a quantidade de leite produzida era inferior ao que ela necessitava. Logo eu... tida como maluca pró amamentação e contrária as fórmulas artificiais. Que ironicamente, ajudar a salvar a vida da minha filha e a salvar a mim de mim mesma, das minhas crenças e certezas.


Tivemos alta e complementamos a amamentação no peito, com fórmula, durante 7 dias, sempre monitorando a glicemia.


Com 72 horas de vida, fizemos o teste do pezinho e a partir do resultado, outra sombra surgiu em nossas vidas.

Dias depois da coleta do exame recebi a ligação da nossa pediatra dizendo que o teste do pezinho apontou uma alteração: Deficiência de biotinidase. Lembro do que senti enquanto escutava o que ela me dizia. Com a visão turva, olhei para o rosto da Ana Liz que estava mamando meu peito e pensei: Deficiência? Deficiência? Não há de ser, mas se for, vamos encarar o diagnóstico. No auge do puerpério, passei a estudar cada informação o que o Dr. Google (quem nunca? Eu sempre) me entregava. Li tudo o que se pode imaginar sobre Deficiência de biotinidase, cheguei a tentar traduzir artigos em inglês. Termos técnicos se embaralhavam em frases desconectadas. Percebi que eu mais confundi do que esclareci minhas dúvidas. Foi então que decidi apenas, (será apenas?) esperar pelo resultado do novo teste. Em 10 dias, recebemos o segundo exame com níveis normais. Ana Liz não era portadora de deficiência de biotinidase. Contei tudo isso porquê: 1) Provavelmente tivemos o falso positivo no primeiro exame porque o fizemos cedo demais. Ou então, porque ela nasceu antes do que deveria. Por isso defendo tanto a espera pelos sinais da criança, de qual o tempo certo para o nascimento. Quantos problemas e preocupações poderíamos ter evitado se tivéssemos respeitado o tempo dela? 2) Falsos positivos nos testes do pezinho são relativamente comuns. Conheço pelo menos, mais 3 ou 4 casos só no meu município. 3) Ainda bem que o teste do pezinho existe. Claro que quando o fizemos, esperamos confirmar que tudo está dentro do esperado, mas se houver alguma alteração, se sabe cedo e assim, inicia-se o quanto antes os tratamentos necessários, melhorando a qualidade de vida da criança. 4) Não há limites para uma mãe que busca o bem estar e a saúde do seu filho. Por eles, viramos PHD em artigos científicos técnicos em tempo recorde. 5) Esperar e confiar são verbos comuns na vida das mães. Só precisamos colocá-los mais em prática. E assim foi nosso puerpério com a Aninha. Como escrevi no título, geralmente a sombra é maior que o próprio objeto. Pensando nisso, será que o tamanho da sombra que você vê, reflete a realidade? Talvez, tudo seja só uma questão de mudar o ângulo e/ou a intensidade da energia que destinamos ao problema. Será que você tem visto sombras grandes demais?



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